O tempo pergunta ao tempo quanto tempo o tempo tem...
Nós somos mesmo uns seres engraçados, para nós tudo é especial.
O simples tempo, que parece uma coisa tão simples, não se escapa a ser complicado por nós.
Logo para começar, o tempo não é nada, em si, ou seja, é aquilo que se faz com ele. O que nos leva a deixar-mos de falar de "tempo" e passarmos a falar de "temporalidade" porque se trata de uma característica do humano. Esta temporalidade transcende o conceito de tempo porque coloca na deslocação dos ponteiros do relógio o peso do que fazemos enquanto eles estão a andar.
A temporalidade é algo complexa. Na verdade é tridimensional.
Se neste momento eu estou aqui a escrever neste blog é porque criei o blog, resolvi escrever cá e inseri um novo post. Mas também tou aqui a escrever porque em cada instante carrego numa tecla. Mas não só. Finalmente, estou aqui a escrever porque sei que isto vai aparecer no meu blog e porque acredito que alguém vai ao meu blog e vai ler isto, e até, porque acredito que se alguém ler isto vai conseguir perceber alguma coisa do que estou para aqui a dizer.
Resumindo, a temporalidade é uma conjugação do que já passou com o que se está a passar e com o que há-de passar.
É nesta altura que eu introduzo aqui uma frasezita:
"A maneira como entendemos o passado é determinada pelo futuro que desejamos"
Na dimensão actual da temporalidade temos a nossa projecção da dimensão futuro, e é essa projecção que origina a perspectiva com que olhamos para a dimensão passado.
Quando a dimensão actual já tiver andado mais um pouco e, eventualmente, a projecção da dimensão futuro se tiver alterado, olharemos para o mesmo local da dimensão passado e veremos a mesma coisa de forma diferente, não que ela se tenha alterado mas simplesmente porque a nossa perspectiva mudou.
Um exemplo muito prático: eu saio de Coimbra e paro em Leiria, olho para trás, para o caminho que fiz, e penso o quê? Depende. Se eu queria ir para o Porto penso que fiz o caminho errado e que está tudo mal. Se eu queria ir para Lisboa penso que estou no caminho certo e que andei bem.
E assim acontece em tudo o que se passa, o objectivo que nos move é que estabelece o critério para a avaliação do que já fizemos.
Isto introduz a maravilhosa relatividade e põe, mais uma vez, as coisas nas nossas mãos, o que é óptimo, para quem gosta!